segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

KEROUAC - GERAÇÃO BEAT


Comecei a ler outro livro do Keroauc, "Geração Beat", uma nova peça teatral - escrita em três atos escritos em 1957 e datilografados pela sempre amorosa mãe de Kerouac, Gabrielle, também conhecida como "Mérmére".

Eu, lendo, já imaginei um curta metragem. hehehehe
Bom, para os admiradores, segue mais uma obra para desfrutarmos.

A peça nunca foi encena. Em uma carta, Kerouac descreveu seu interesse pelo teatro e pelo cinema da seguinte maneira.

O que eu quero é refazer o teatro e o cinema nos Estado Unidos, dar a eles um choque de espontaneidade, remover preconceitos de "situação" e deixar as pessoas delirarem como fazem na vida real. A peça é isto: nenhuma trama em especial, nenhum "significado" em especial, apenas a maneira como as pessoas são. Escrevo tudo o que escrevo no espírito em que me imagino como um anjo devolvido à Terra, que a vê com olhos tristes.

Sinopse
Por meio de diálogos que parecem imitar um jazz de ritmo sincopado, Kerouac, verdadeiro mestre-compositor, criador de maravilhosos arranjos, mostra a existência de pessoas reais, vivendo e morrendo no sonho americano, à margem da cultura e da sociedade do seu tempo. Entre uma discussão existencialista e uma corrida de cavalos, uma iluminação mística e uma bebedeira, surge o coração e a alma da geração beat, mentalidade que germinou durante décadas e acabou por florescer na contra-cultura norte-americana da década de 1960. Nada mais nada menos do que uma América autêntica e alternativa.

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Now playing: Fatback Band - 01 - Hot Box
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

TIM MAIA - VALE TUDO

Acabei de ler a Biografia do Tim Maia, escrita por Nelsonmôtta (<< quem ler o livro vai saber porque tá assim)
Bom, o lance é simplesmente frenético, pulsante, doido @#$%¨&*.
Já vou aproveitar e fazer uma apologia que nem ele fez no Tim Maia Racional I e II.

LEIA.... O LIVRO
VALE TUDO
O SOM E A FÚRIA DE TIM MAIA
NELSON MOTTA


Nem eu mesmo sabia que a vida de Tim Maia tinha sido tão sofrida, empolgante e divertida. É como Nelson Môtta mesmo diz, "não existe pessoa que fez o que queria e na hora que queria".

Pra quem já leu ou vai ler o livro segue um link bem interessante. São matérias que não foram publicadas no livro, como fotos e partes do livro >> Objetiva.

Segue algumas partes do livro em PDF's:
Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

POESIA - RICARDO SILVESTRIN




palavra não é coisa
que se diga
quem toma a palavra
pela coisa
diz palavra com palavra
mas não diz coisa com coisa
a palavra pode ser pesada
a coisa, leve
e vice-versa não é coisa alguma
a palavra coisa
não é a coisa palavra
palavra e coisa
jamais serão a mesma coisa

Ricardo Silvestrin (Porto Alegre, 1963). Poeta. Formado em Letras, UFRGS/1985. Professor de Literatura do Curso de Pós-Graduação da UniRitter, Universidade Ritter dos Reis (Módulo de Teoria e Prática da Poesia, Curso de Pós-Graduação Lato Sensu, Práticas Textuais). Diretor de Criação e Estratégia da agência de publicidade Globalcomm. Editor da ameop — ame o poema editora. Colunista do Segundo Caderno do Jornal Zero Hora. Integra o grupo musical os poETs.

No próximo post eu coloco o site dele, pois vi que estava fora do ar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

LIVRO DO TIM MAIA



Autodefinido "preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares", o tijucano Tim Maia integrou o funk e o soul aos ritmos brasileiros, criou um estilo único e exuberante e se tornou um dos artistas mais querido do público, da crítica e principalmente de outros artistas de diversos gêneros e gerações. Cantor extraordinário, de voz potente e fabuloso sentido rítmico, além de incontáveis sucessos que até hoje animam festas e embalam romances, Tim criou também um dos mais hilariantes personagens do Brasil moderno, o "síndico" anárquico, polemico e indomável, desafiando a lei e a ordem em nome da música e da liberdade. Como raros artistas brasileiros, Tim sempre fez apenas o que queria, com quem e quando queria, do jeito que queria. E pagou o preço da sua liberdade e independência com inúmeras brigas e processos judiciais com gravadoras e empresários, se tornando um dos primeiros músicos brasileiros a ter sua própria gravadora e controle total de sua carreira. O jornalista e produtor musical Nelson Motta foi amigo e fã de Tim desde 1969, quando produziu o seu histórico dueto com Elis Regina, até 1997, em Nova York, poucos meses antes de sua morte. Sem censura, sem restrições e sem julgamentos, fiel à memória rebelde, desbocada e transgressora de Tim Maia, Nelson narra com paixão e irreverência a sua carreira brilhante e sua vida turbulenta, esperando que, como na canção de Caetano Veloso, tudo saia como o som de Tim Maia.

Título: Vale Tudo
Autor: Nelson Motta

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O QUE É FUNK?




Resolvi manifestar-me no blog sobre a palavra e a música FUNK, uma porque é o meu estilo musical preferido (quem está lendo deve achar, FUNK "meu Deus o biel é loko mesmo") outra para poder dizer que Funk e Funk Carioca não tem o mesmo significado e também para responder perguntas de pessoas que ainda insistem em achar que eu gosto de Heavy Metal, Trash, Emocore (acho que é assim que se escreve, pois não me prestei em botar no google para pesquisar esta coisa), mas deve ser pelo fato de eu ter cabelo comprido. rsrsrsrsrsrsrsr =: )

Bom, então lá vai uma rajada de informações para quem ainda não prestigiou ou ainda não tenha percebido que o FUNK está em seus movimentos e não na dancinha de bundinha.

Funk

O Funk é um estilo bem característico da música negra norte-americana, desenvolvido por artistas como James Brown e por seus músicos, especialmente Maceo Parker e Melvin Parker.

O funk pode ser melhor reconhecido por seu ritmo sincopado, pelos vocais de alguns de seus cantores e grupos (como Cameo, ou os Bar-Kays). E ainda pela forte e rítmica seção de metais, pela percussão marcante e ritmo dançante, e a forte influência do jazz (como exemplos, as músicas de Herbie Hancock, George Duke, Eddie Harris e outros).

Origem do funk

Os músicos negros norte-americanos primeiramente chamavam de funk à música com um ritmo mais suave. Esta forma inicial de música estabeleceu o padrão para músicos posteriores: uma música com um ritmo mais lento, sexy, solto, orientado para frases musicais repetidas (riffs) e principalmente dançante. Funky era um adjetivo típico da língua inglesa para descrever estas qualidades. Nas jam sessions, os músicos costumavam encorajar outros a "apimentar" mais as músicas, dizendo: Now, put some stank (stink/funk) on it!" (algo como "coloque mais 'funk' nisso!"). Num jazz de Mezz Mezzrow dos anos 30, Funky Butt, a palavra já aparecia.

Devido à conotação sexual original, a palavra funk era normalmente considerada indecente. Até o fim dos anos 50 e início dos 60, quando "funk" e "funky" eram cada vez mais usadas no contexto da soul music, as palavras ainda eram consideradas indelicadas e inapropriadas para uso em conversas educadas.

A essência da expressão musical negra norte-americana tem suas raízes nos spirituals, nas canções de trabalho, nos gritos de louvor, no gospel e no blues. Na música mais contemporânea, o gospel, o blues e suas variantes tendem a fundir-se. O funk se torna assim um amálgama do soul, do jazz e do R&B.

Década de 1970 e atualidade


Foto: George Clinton e Bootsy Collins

Nos anos 70, George Clinton, com suas bandas Parliament, e, posteriormente, Funkadelic, desenvolveu um tipo de funk mais pesado, influenciado pela psicodelia. As duas bandas tinham músicos em comum, o que as tornou conhecidas como 'Funkadelic-Parliament'. O surgimento do Funkadelic-Parliament deu origem ao chamado P-Funk', que se referia tanto à banda quanto ao subgênero que desenvolveu.

Outros grupos de funk que surgiram nos anos 70 incluem: B.T. Express, Commodores, Earth Wind & Fire, War, Lakeside, Brass Construction, Kool & The Gang, Chic, Fatback, The Gap Band, Instant Funk, The Brothers Johnson, Skyy, e músicos/cantores como Rick James, Chaka Khan, Tom Browne, Kurtis Blow (um dos precursores do rap), e os popstars Michael Jackson e Prince.

Nos anos 80 o funk tradicional perdeu um pouco da popularidade nos EUA, à medida em que as bandas se tornavam mais comerciais e a música mais eletrônica. Seus derivados, o rap e o hip hop, porém, começaram a se espalhar, com bandas como Sugarhill Gang e Soulsonic Force. A partir do final dos anos 80, com a disseminação dos samplers, partes de antigos sucessos de funk (principalmente dos vocais de James Brown) começaram a ser copiados para outras músicas pelo novo fenômeno das pistas de dança, a house music.

Nesta época surgiu também algumas derivações do funk como o Miami Bass, DEF, Funk Melody e o Freestyle que também faziam grande uso de samplers e baterias eletrônicas. Tais ritmos se tornaram combustível para os movimentos Break e Hip Hop.

Os anos 80 viram também surgir o chamado funk-metal, uma fusão entre guitarras distorcidas de heavy-metal e a batida do funk, em grupos brancos como Red Hot Chili Peppers e Faith No More.

No Brasil, o Funk americano recebeu muitas influências e modificações, tornando-se uma vertente totalmente nacional, é o Funk carioca, que nasceu nos bailes dançantes das favelas cariocas e se propagou para o resto do Brasil e do mundo.

* Oringens estilísticas: A partir da soul music, com uma batida mais pronunciada e influências do R&B, do rock e da música psicodélica.
* Contexto cultural: final da década de 1960, Estados Unidos da América
Instrumentos típicos: raps e vocalistas (predominante), percussão
* Popularidade: década de 1970, com revivamento no hip hop e funk metal

Fonte: Wikpédia

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Now playing: George Clinton Presents the P- - Gypsy Woman - George Clinton
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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

AUSTRALIAN PINK FLOYD




AUSTRALIAN PINK FLOYD, banda cover do PINK FLOYD e autorizada por David Gilmour e demais membros, anunciaram no seu website algumas apresentações que serão realizadas em outubro no Brasil:

02/10 - Porto Alegre (Pepsi On Stage)
04/10 - Rio de Janeiro (Vivo Rio)
05/10 - São Paulo (Via Funchal)

Pessoal vale a pena mesmo ver este show, quando eles vieram a primeira vez a Porto Alegre eu fui para conferir e simplesmente achei o show dos cara um máximo, eles são tão COVERS que que até o visual da iluminação eles mantém.

Vale a pena também dar uma olhadinha no Website deles, lá mostra até os equipamentos de iluminação e sonorização dos magrão.
http://www.aussiefloyd.com/

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

WILLIAM BURROUGHS


Burroughs,

o fora-da-lei da
literatura
(1914 - 1997)

William S. Burroughs, que faleceu no início de agosto de 97 em Lawrence, Kansas, aos 83 anos, foi o grande fora-da-lei da literatura contemporânea. Pela importância e radicalidade, sua obra pode ser colocada ao lado da de escritores como John Barth, Samuel Beckett, Henry Miller, Céline, Doctorow e Thomas Pynchon. Norman Mailer o considerava um gênio. John Updike, "um escritor incorruptível". Já seu companheiro de geração Beat, Jack Kerouac, afirmava que Burroughs era o maior escritor satírico desde Jonathan Swift. A opinião de Kerouac parece indicar o ponto de vista adequado para entendermos sua obra. O próprio escritor relativizava com humor sua fama literária: anos atrás, perguntado sobre como se sentia ao ter sido condecorado com a Comenda das Artes e Letras do governo francês, comentou: "E daí? Jerry Lewis também foi".

Neto do inventor do mecanismo da máquina de calcular, Burroughs levou ao limite o dito de que não há literatura experimental sem vida experimental. Conheceu o submundo das drogas, escreveu livros "ilegíveis", foi exterminador de ratos, detetive particular, viveu no México, Marrocos, Paris, Londres. Foi guru dos hippies, punks e agora, dos surfistas internéticos.

O estereótipo do drogado-beat-homossexual e sua biografia tumultuada, no entanto, obscureceram uma leitura mais precisa de Burroughs enquanto escritor. Não era exatamente como "junkie writer" ou anti-humanista que ele queria ser lembrado: "Desde o começo eu tenho me preocupado, enquanto escritor, com o vício em si (seja a drogas, sexo, dinheiro, ou poder) como um modelo de controle, e com a decadência máxima potencialidades biólogicas da humanidade, pervertida pela estupidez e malícia desumanas". Se, como escreveu Michel Serres, a chave da modernidade está na relação parasítica, a obra de Burroughs chega a ser didática. Em sua narrativa grotesca, escatológica, distópica, o parasita se torna uma metáfora para todas as relações de poder.

"A linguagem é um vírus". Nesta frase-chave e em toda sua obra, Burroughs sintetiza nossa condição, de explosão virótica e paranóias extraterrestres, de internets, massificação pela propaganda, clonagens e de bombardeio diário de informações pela mídia. Se o vício aparece como metáfora "nua e crua" para os males da sociedade de consumo, é com a do vírus que Burroughs descortina nossa agoridade espetacular. O problema é que para Burroughs não há cura para este vírus: trata-se da própria consciência humana, programada para funcionar como um mecanismo virótico. Ao se reproduzir em cópias de si mesma, inoculando comandos contraditórios, o parasita age naquilo que é a diferença do ser humano dos outros animais: a linguagem.

O papel do escritor, como um sintomatologista, passa a ser o de expor os seus modos de funcionamento. "Um médico não é criticado por descrever as manifestações e sintomas de uma doença, mesmo que elas sejam repugnantes. Acho que o escritor deve ter a mesma liberdade", escreveu. Sua obra, muito antes da voga da "desconstrução", já fazia uma análise demolidora dos dualismos básicos da nossa cultura, de nossa tendência em pensar em termos de oposições binárias como mente/corpo, homem/mulher, certo/errado, natureza/cultura, realidade/ficção, eu/outro. Burroughs foi um crítico ferrenho do senso-comum, que ele via como uma das drogas mais perigosas, um modo "viciado" e limitado de ver. "A lógica aristotélica é um dos grandes erros do pensamento ocidental. Existem certas fórmulas, palavras-chaves, que podem trancafiar uma civilização durante séculos". Trinta e dois anos após a publicação polêmica de "Naked Lunch" (Almoço Nu) talvez seja hora reler a descrição nua e crua que Burroughs faz: o que parece estranho pode nos surpreender. A ficção, para ele, tinha o péssimo hábito de virar realidade.

NARRATIVA "ZAPPING"

No início dos anos 60, principalmente na chamada trilogia "cut-up", muito antes da teoria contemporânea discutir o fenômeno da "intertextualidade", Burroughs incorporou o conceito de colagem cubista e procedimentos do Dadaísmo para a narrativa. Apontava, assim, para a característica intertextual não só da literatura mas também de nossa época. O uso de "cut-ups", mais intensamente praticados em livros como "O Ticket Que Explodiu", "Expresso Nova" e "A Máquina Macia", questionava radicalmente o conceito de autoria. O resultado, se usado com moderação, como aconselhava, era um método de escrita hipertextual, que poderia inclusive contar com a ativa colaboração do leitor. (Para os que quiserem experimentar, há na Internet um site com uma Máquina Cut-Up programada para editar ao acaso textos inseridos pelo usuário com fragmentos da obra de Burroughs).

Com o cut-up, a idéia de um texto interativo e de uma escrita "eletrônica", que se faz de súbitos links, já estava lançada. Na época, o método de Burroughs era bastante "primitivo": munido de gravadores e uma tesoura, Burroughs cortava tiras de textos das fontes mais variadas — trechos da Bíblia, jornais, Shakespeare e os diálogos de um filme-B, por exemplo. Depois, justapunha-os com textos seus e reescrevia o resultado. O efeito, como demonstra em sua trilogia e em "A Terceira Mente", é uma espécie de "zapping" narrativo. A descontinuidade provocada pelo vírus tornava o texto uma zona de turbulência, ou simulava efeitos de simultaneidade, como se estivéssemos vendo vários canais ao mesmo tempo. Burroughs criava, assim, o Frankenstein da literatura contemporânea: A Máquina Cut-Up.

Mesmo tendo abandonado progressivamente este método de escrita a partir dos anos 70, Burroughs acreditava que os efeitos textuais provocados pelo cut-up estavam muito mais próximos do funcionamento real de nossas percepções do que a narrativa linear, sequencial. Recebemos mais informações subliminares do que nossas consciências registram. Para indicar seu ponto de vista, dava um exemplo muito próximo de nós: a TV.

Em tempos de tecnologias e hipertextualidades, Burroughs era otimista em relação ao futuro do livro: "Acho que as pessoas nunca vão abandonar totalmente a leitura. Nada substituirá a literatura: nem o vídeo, nem o cinema. Por outro lado, a fórmula novelística está ultrapassada, e se não houver coisas interessantes nessa área, as pessoas estarão cada vez mais lendo só livros e revistas ilustradas, histórias em quadrinhos. Há coisas que você não consegue numa tela ou num filme. Já com um livro as pessoas podem sentar-se em qualquer lugar e é como se um filme estivesse passando em suas cabeças".

ESTÚDIO REALIDADE

De "Almoço Nu" ao mais recente "Minha Educação: Um Livro de Sonhos" (1995), Burroughs nunca abandonou seu projeto literário e político de questionar a estrutura da realidade. Sua obra seria melhor lida no contexto da "Nova Mitologia" que dizia estar criando para nossa época.

Em seu universo mágico e perigoso, o escritor descrevia a presença de estruturas arcaicas em eterno conflito. A realidade humana, no grande circo burroughsiano, nada mais é que "um universo pré-filmado e pré-gravado". Na sua ficção, vive-se numa grande Interzone infestada de piratas homossexuais, políticos mafiosos, serial killers, burocratas viciados, seitas fanáticas, cyborgs e alienígenas. Nesta cidade-mundo, "nada é verdadeiro, tudo é permitido". A própria História é um velho filme que é rebobinado toda vez que chega ao fim, e que pode ser alterada apenas através de uma radical "Operação Reescrita". A única saída para o escritor é expor o funcionamento dos sistemas de controle e ao mesmo tempo tentar miná-los viroticamente.

Neste cenário pessimista, o corpo humano nada mais é que uma "máquina macia" programada para satisfazer as necessidades absolutas de seus controladores: a Nova Gangue, um grupo paramilitar intergalático que domina a humanidade através da manipulação da imagem e da palavra. Sua tarefa, na ficção anarquista de Burroughs, é agravar os conflitos humanos colocando num mesmo planeta formas de vida irreconciliáveis. Para o autor, uma nova mitologia, nos termos que propõe, só seria possível na era espacial, "onde teremos novamente heróis e vilões quanto às suas intenções para com este planeta".

Pelos labirintos da grande "zona" textual de seus romances, circulam personagens que parecem saídos da realidade, como Dr. Benway, inescrupuloso médico cujo maior feito foi ter retirado o apêndice de um paciente com uma lata de sardinha enferrujada. Há também Mr. Bradley Mr. Martin, "um Deus que fracassou, um Deus do Conflito, o inventor da cruz dupla, dos dualismos". Existem os Mugwumps, répteis alienígenas que sugam humanos (chupa-cabras?) e garotos "heavy metal" (termo extraído de sua obra). E, claro, há o Estúdio Realidade, onde imagens e representações do mundo "ao vivo" estão a todo instante sendo editadas e manipuladas. A tarefa da Polícia Nova, liderada pelo Inspetor Lee, é expulsar os invasores e liberar o planeta. Profeticamente, em "Naked Lunch", de 1959, Burroughs apresentava um vírus letal e misterioso (também /A obra de Burroughs — que engloba intervenções em áreas diversas — pode ser entendida como uma grande teia onde se entrecruzam disciplinas como filosofia, antropologia, psicanálise, política, pintura, cinema e cultura pop. Por isso, ela acabou contaminando personalidades de diversas áreas, como David Cronenberg, Robert Wilson, e artistas como Brian Eno, Lou Reed, Tom Waits, David Bowie, Patti Smith e Laurie Anderson.

A produção literária de Burroughs também fez a cabeça de jovens escritores como Kathy Acker, escritores "cyberpunk" (William Gibson, Bruce Stirling e Clive Barker), repercutindo até nas obras de filósofos como Deleuze e Guatari. No Brasil, possíveis semelhanças com a escrita burroughsiana se encontram em "Panamérica", de José Agrippino e "Catatau", de Paulo Leminski. O escritor trafegou pelos mais variados gêneros, sempre com intenções paródicas: do diário de viagem às histórias policiais, do western a ficção-científica. Entre seus escritores preferidos estavam Rimbaud, Kafka, Conrad, Dostoievsky, Denton Welch, T.S. Eliot, e Beckett.

Burroughs contextualizava sua obra à luz da tradição picaresca, cujos antecedentes mais antigos são o "Satyricom", de Petrônio, e "The Unfortunate Traveller", de Tomas Nashe: a narração de uma série de aventuras e de "acidentes de percurso", alguns horríveis, outros cômicos, vividos por um anti-herói. De fato, os livros mais importantes de Burroughs foram escritos neste estilo. Não há também como deixar de apontar pontos de contato entre seu universo narrativo com os de George Orwell, Franz Kafka e Aldous Huxley.

Nos últimos anos, Burroughs estava escrevendo cada vez menos e aproveitando cada vez mais seus últimos momentos. Ou seja, pintando, cuidando dos gatos, recebendo amigos e praticando tiro. Chegou a fazer experiências interessantes como a ópera "The Black Rider" (O Cavaleiro Negro, em parceria com Robert Wilson e Tom Waits) e lançou álbuns de "spoken word" como o excelente "Dead City Radio" (Rádio Cidade Morta), que retoma a forma da novela radiofônica. Encarado como uma espécie de dinossauro da contracultura, passou a ser cada vez mais assediado em seu exílio no Kansas, como remanescente de uma época turbulenta. Não à toa, escolheu para morar um lugar que é conhecido como "Alameda Tornado" (título de outro livro seu), e onde depois seria filmado o filme "The Day After". Sobreviveu a Kurt Cobain, com quem fez parceria, e fez pontas em filmes como "Drugstore Cowboy" e "Twister".

O fato é que, aos 83 anos, depois de tudo o que aprontou, era chegada a hora do Agente Lee fazer suas malas. Como nas palavras de um personagem de "The Western Lands", um de seus últimos livros: "O velho escritor não podia mais escrever por ter atingido o limite do que poderia ser feito com as palavras". Burroughs se preparou durante toda sua vida para a última viagem às Terras do Oeste, o paraíso dos egípcios, e que só é atingido por uma estrada perigosa. Burroughs chegou lá.

"Kim nunca havia duvidado da existência de deuses ou da possibilidade de vida após a morte. Ele considerava a imortalidade como o único objetivo que valia a pena. Ele sabia que ela não é algo que você atinge automaticamente por acreditar em algum dogma arbitrário como Cristianismo ou Islã. É algo que você tem que trabalhar e batalhar, como tudo mais nessa vida ou na outra".

("The Western Lands")

RODRIGO GARCIA LOPES
in Revista Cult, SP, n. 3, 1997, pp-20-22
(matéria gentilmente enviada pelo autor para Pop Box)
Rodrigo Garcia Lopes é autor de "Vozes & Visões: Panorama da Arte e Cultura
Norte-americanas Hoje" (Iluminuras, 1996), "Solarium" (Iluminuras, 1994), "visibilia" (Sette Letras, 1997) e Mestre em Artes pela Arizona State University com tese sobre a obra de William Burroughs.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

STANTON MOORE


Seguem alguns videos do baterista Stanton Moore pra alegrear o meu Funk-Jazz-Soul.

Website: http://www.stantonmoore.com

Stanton Moore- Sprung Monkey


Stanton Moore and his band


RB Funkestra featuring Stanton Moore


terça-feira, 28 de agosto de 2007

O AMOR E A LOUCURA

POESIA = REFLEXÃO

Tempos atrás, viviam duas crianças, um menino e uma menina, que tinham entre quatro e cinco anos de idade.
O menino chamava-se Amor e a menina, Loucura.
O Amor sempre foi uma criança calma, doce e compreensiva. Já a Loucura era muito emotiva, passional e impulsiva, entretanto, apesar de todas as diferenças, as crianças cresciam juntas, inseparáveis: brincando, brigando...

Houve um dia, porém, em que o Amor não estava muito bem, e acabou cedendo às provocações de Loucura, com a qual teve uma discussão muito feia. Ela não deixava nada barato; estava furiosa como nunca com o Amor, e começou a agredi-lo, não só verbalmente, como de costume.

A menina estava tão descontrolada que agrediu o garoto fisicamente e, antes que pudesse perceber, arrancou os olhos do Amor.

O Amor, sem saber o que fazer, chorando, foi contar à sua mãe, a deusa Afrodite, o que havia ocorrido.

Inconsolada, Afrodite implorou a Zeus que ajudasse seu filho e que castigasse Loucura.
Zeus, por sua vez, ordenou que chamassem a garota para uma séria conversa.

Ao ser interrogada, a menina respondeu, como se estivesse com a razão, que o Amor havia lhe aborrecido e que foi merecido tudo o que aconteceu.

Embora soubesse que não fora justa com seu amigo, a menina - que nunca soube se desculpar - concluiu dizendo : que a culpa havia sido do Amor, e que não estava nem um pouco arrependida.

Zeus, perplexo com a aparente frieza daquela criança, disse que nada poderia fazer para devolver a visão ao Amor, mas ordenou que Loucura estaria condenada a guiá-lo por toda a eternidade, estando sempre junto ao Amor em cada passo que este desse.

E até hoje eles caminham juntos.

Onde quer que o Amor esteja, com ele estará Loucura, quase que fundidos numa só essência, tão unidos que por vezes não se consegue definir onde termina o Amor e onde começa a Loucura.

É também por isso que se costuma dizer que o Amor é cego; mas isso não é verdade, pois o Amor tem os olhos da Loucura.

(Autor desconhecido)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

POEMA

Bom, para dar uma descontraída no blog/news, resolvi postar um poema que foi lido na minha aula.

Não custa perder uns minutinhos e ler esta verdadeira reflexão.

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Autor: Victor Hugo (Referência autoral: Concurda de Notre Dame)

segunda-feira, 19 de março de 2007

Senhor das Moscas


Um grupo de jovens tenta construir uma civilização numa ilha tropical deserta, e o projeto acaba em sangue e terror, segundo definição do próprio autor. Nessa distopia juvenil, publicada em 1954 após a recusa de 21 editoras, Golding desenvolve uma visão pessimista do homem que tem a marca do nazismo, do stalinismo e do horror atômico da Segunda Guerra. Golding ganharia o Prêmio Nobel em 1983.


Ficha Técnica

Autor: William Golding
Páginas: 224
Tradução: Geraldo Galvão Ferraz

Sinopse ::: Folha de S.Paulo
Um avião lotado de crianças e adolescentes cai numa ilha deserta. Os jovens sobrevivem e, aos poucos, vão se reunindo num grande grupo. Em assembléia, os meninos designam um líder. Longe dos códigos que regulam a sociedade dos adultos, esses jovens terão de inventar uma nova civilização, alicerçada exclusivamente nos recursos naturais da ilha e em suas próprias fantasias. Até aí este romance do inglês William Golding poderia ser lido como simples aventura infanto-juvenil, cheia de caçadas, banhos de mar e, ao final, a descoberta de um tesouro escondido por piratas. Mas não é o que ocorre. Apesar dos esforços iniciais de organizar uma sociedade auto-suficiente e equilibrada, o bando vai progressivamente cedendo à vida dos instintos, regredindo às pulsões de violência e de morte. A disputa pelo poder é um dos estopins da desordem. E o paraíso do "bom selvagem" acaba em carnificina. Invertendo o clássico Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, em que um único indivíduo conseguia impor a civilização ao estado de natureza, Golding expressa neste romance sua descrença na bondade inata dos homens e em sua capacidade de criar um mundo melhor. Lançado em 1954, menos de uma década após os campos de concentração nazistas e a bomba de Hiroshima, o livro carrega esse destino já no título: "Senhor das Moscas" é a tradução literal da palavra hebraica Ba'alzebul - em português, "Belzebu".

Biografia do Banco de Dados
William Gerald Golding nasceu em 1911, na Inglaterra. Em 1935, após publicar uma pequena coleção de poemas, gradua-se em literatura inglesa em Oxford. Trabalhou como escritor, ator e produtor em pequenas companhias de teatro até tornar-se professor em Salisbury. Em 1940, entra para a Marinha inglesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, participa da perseguição e afundamento do navio alemão Bismarck e também do desembarque das tropas aliadas na Normandia, em 1944. Após a guerra, volta a lecionar. Seu romance de estréia foi O Senhor das Moscas, publicado em 1954. Na seqüência, viriam Os Herdeiros (1955) e Queda Livre (1959), entre outros títulos. No ano de 1980, seu livro Ritos de Passagem rende-lhe o Booker Prize inglês, um dos mais importantes prêmios literários do mundo. Em 1983, como reconhecimento pela sua obra, é agraciado com o Prêmio Nobel de literatura. Cinco anos mais tarde, recebe o título de cavaleiro do Império Britânico. Golding morreu em 1993, deixando um romance inacabado, The Double Tongue (A Língua Dupla).

Fonte: Biblioteca Folha