terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

DIÁRIOS DE KEROUAC


Acabei de ler 'Diários de Jack Kerouac, 1947-1954', vai ser uma postagem meia longa porque quero testemunhar os pensamentos, buscas e ânsias de um jovem que desejava romper as barreiras de um mundo dito civilizado. O livro mostra que o lirismo ácido e o ritmo do bop estavam muito presentes na vida do escritor. Este diário possui as anotações reais que serviram de base para os clássicos “On The Road” e “The Town and the City”.



REFERÊNCIA

O Jack Kerouac mais conhecido é aquela figura dos romances autobiográficos do autor, meio bad boy, meio anjo torto. E, no entanto, somente os seus diários íntimos - até hoje inéditos em livro -, nos quais ele desvendou seus sentimentos mais recônditos, revelam o verdadeiro Kerouac - o seu eu mais real, mais honesto e filosófico. Em 'Diários de Jack Kerouac, 1947-1954', o historiador Douglas Brinkley reuniu uma seleção de anotações dos diários escritos durante o período mais crucial da intrépida vida do romancista, começando em 1947, quando ele tinha 25 anos, e seguindo até 1954. Um verdadeiro retrato do artista quando jovem, estes diários mostram uma alma sensível mapeando seus próprios progressos como escritor e digerindo os seus mais importantes precursores literários, como Dostoiévski, Tolstói, Mark Twain, Céline, entre outros.

Eis Kerouac como um faminto e jovem escritor que luta para aperfeiçoar e terminar seu primeiro romance, The Town and the City, ao mesmo tempo em que constrói importantes amizades, com Allen Ginsberg, William S. Burroughs e Neal Cassady. Eis, também, Kerouac em pleno processo de gestação daquela que seria considerada sua obra máxima, On the road, na qual começou a trabalhar em 1957. Nestas páginas confessionais, o leitor vai encontrar relatada grande parte dos acontecimentos imortalizados em On the road, a eterna e iluminada devoção do escritor por um catolicismo místico, histórias das suas viagens pelos quatro cantos dos Estados Unidos, seu amor por uma América transcendental e anotações de idéias para inúmeros textos, além da sua crônica e tocante melancolia. Além do monstro sagrado, que tinha a implacável convicção de que logo haveria “uma nova grande revolução da alma”, vemos um jovem como tantos outros, cheio de dúvidas e medos, preocupado em arranjar uma namorada. Conforme fica claro na introdução, este livro “traz provas definitivas do profundo desejo de Kerouac de tornar-se um grande e duradouro romancista americano. Repletas de inocência juvenil e da luta para amadurecer e fazer sentido em um mundo de pecados, estas páginas revelam um artista sincero tentando descobrir sua própria voz”. Revelam, enfim, a alma e os sentimentos por trás de On the road e de outras tantas obras que transformaram a literatura e o pensamento do século XX.

Trecho do livro:
“Segunda-feira, 23 de agosto de 1948
Quanto a mim, a base da minha vida vai ser uma fazenda em algum lugar onde vou produzir parte de minha própria comida, e, se necessário, toda ela. Um dia não vou fazer coisa alguma além de sentar embaixo de uma árvore para ver minha lavoura crescer (depois do devido trabalho, claro) – e beber vinho caseiro, e escrever romances para edificar meu espírito, e brincar com meus filhos, e relaxar, e gozar a vida, e brincar, e assoar o nariz. Eu digo que eles não merecem nada além de desprezo por isso, e a próxima coisa, claro, eles todos estarão marchando para alguma guerra aniquiladora que seus líderes corruptos começarão para manter as aparências (decência e honra) e “fechar as contas”. (...) Caguei para os russos, caguei para os americanos, caguei para todo mundo. Vou viver a vida do meu jeito “preguiçoso coisa ruim”, é isso o que eu vou fazer.”

CITAÇÕES

"Estes Diários são um must para qualquer um que se interesse por Kerouac e pelo beats. Mais do que isso: destina-se a todos nós que temos curiosidade sobre uma época em que a inocência ainda era uma possibilidade. Ler os pensamentos, as esperanças e os sonhos de Kerouac nos leva de volta às coisas importantes da vida: viver, amar, respirar, pensar, ter esperança, se importar, sonhar, rir e ir em frente, sempre."
Johnny Depp

“Os diários de Kerouac me fazem lembrar de uma época, nem tão distante assim, quando ainda havia algumas pessoas apaixonadamente sensíveis à escrita e ao ato de escrever. Hoje elas estão extintas.”
Kurt Vonnegut

“Estes diários são uma fonte essencial de informações para os estudiosos da literatura norte-americana, mas a força da personalidade de Kerouac faz deles uma leitura absorvente para os fãs em geral.”
Publishers Weekly


Dados do livro
Título:
Diários de Jack Kerouac 1947-1954
ISBN: 8525414840
Idioma: Português.
Páginas: 359
Ano da obra: 2004
Outras informações: Edição e Introdução de Douglas Brinkley
Ano de Edição: 2006
Autor: Jack Kerouac
Tradutor: Edmundo Barreiros