terça-feira, 18 de maio de 2010

HOUELLEBECQ

Mês passado terminei de ler Extensão do Domínio da Luta, do escritor francês Michel Houellebecq. Posso dizer que Houellebecq é mais do que um escritor: é um maravilhoso e necessário serial killer da literatura. Em pouco tempo, trucidou clichês, senhores feudais e cânones. Impiedoso, trouxe de volta para o romance a violência da vida e a vida da violência. Extensão do Domínio da Luta foi o seu primeiro texto longo de ficção. Nela o autor prova que é possível fazer literatura de pensamento e de ação, de inteligência e crítica, de força e reflexão.

Nesta obra o narrador trabalha com computadores (como Houellebecq o fez) e tem de viajar a trabalho com um colega medíocre, alienado e frustrado na cama. O narrador, ele próprio atormentado pela obsessão por sexo, tenta convencer o amigo a cometer um crime sexual - visto, à semelhança do que Camus descreve em O Estrangeiro, como uma espécie de antídoto contra o tédio.

Extensão do domínio da luta, é um romance de aprendizagem: a aprendizagem do desgosto.

O livro tem tradução de Juremir Machado da Silva e editado pela Sulina em 1994. Vale a pena ler esta loucura, esta doidera que autor vivenciou.