segunda-feira, 19 de março de 2007

Senhor das Moscas


Um grupo de jovens tenta construir uma civilização numa ilha tropical deserta, e o projeto acaba em sangue e terror, segundo definição do próprio autor. Nessa distopia juvenil, publicada em 1954 após a recusa de 21 editoras, Golding desenvolve uma visão pessimista do homem que tem a marca do nazismo, do stalinismo e do horror atômico da Segunda Guerra. Golding ganharia o Prêmio Nobel em 1983.


Ficha Técnica

Autor: William Golding
Páginas: 224
Tradução: Geraldo Galvão Ferraz

Sinopse ::: Folha de S.Paulo
Um avião lotado de crianças e adolescentes cai numa ilha deserta. Os jovens sobrevivem e, aos poucos, vão se reunindo num grande grupo. Em assembléia, os meninos designam um líder. Longe dos códigos que regulam a sociedade dos adultos, esses jovens terão de inventar uma nova civilização, alicerçada exclusivamente nos recursos naturais da ilha e em suas próprias fantasias. Até aí este romance do inglês William Golding poderia ser lido como simples aventura infanto-juvenil, cheia de caçadas, banhos de mar e, ao final, a descoberta de um tesouro escondido por piratas. Mas não é o que ocorre. Apesar dos esforços iniciais de organizar uma sociedade auto-suficiente e equilibrada, o bando vai progressivamente cedendo à vida dos instintos, regredindo às pulsões de violência e de morte. A disputa pelo poder é um dos estopins da desordem. E o paraíso do "bom selvagem" acaba em carnificina. Invertendo o clássico Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, em que um único indivíduo conseguia impor a civilização ao estado de natureza, Golding expressa neste romance sua descrença na bondade inata dos homens e em sua capacidade de criar um mundo melhor. Lançado em 1954, menos de uma década após os campos de concentração nazistas e a bomba de Hiroshima, o livro carrega esse destino já no título: "Senhor das Moscas" é a tradução literal da palavra hebraica Ba'alzebul - em português, "Belzebu".

Biografia do Banco de Dados
William Gerald Golding nasceu em 1911, na Inglaterra. Em 1935, após publicar uma pequena coleção de poemas, gradua-se em literatura inglesa em Oxford. Trabalhou como escritor, ator e produtor em pequenas companhias de teatro até tornar-se professor em Salisbury. Em 1940, entra para a Marinha inglesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, participa da perseguição e afundamento do navio alemão Bismarck e também do desembarque das tropas aliadas na Normandia, em 1944. Após a guerra, volta a lecionar. Seu romance de estréia foi O Senhor das Moscas, publicado em 1954. Na seqüência, viriam Os Herdeiros (1955) e Queda Livre (1959), entre outros títulos. No ano de 1980, seu livro Ritos de Passagem rende-lhe o Booker Prize inglês, um dos mais importantes prêmios literários do mundo. Em 1983, como reconhecimento pela sua obra, é agraciado com o Prêmio Nobel de literatura. Cinco anos mais tarde, recebe o título de cavaleiro do Império Britânico. Golding morreu em 1993, deixando um romance inacabado, The Double Tongue (A Língua Dupla).

Fonte: Biblioteca Folha